terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tornado.

Assinarei muitos escritos com o nome que te concedi, porque me perdeste no horizonte que enxergavas em tua imaginação. Não te configurarei como falsa, talvez fosse justo. As pedras da minha calçada dirão para eu te perseguir até que digas o quanto tua fragilidade compõe sinfonias e poemas patéticos. Criarei um ritual para fantasiar que tuas bonecas ganham vida enquanto as rochas continuam a formar fantasmas solitários. Existe uma convicção gélida de que falamos a respeito de tudo que é conhecido, porém comemoração alguma roubaria um sorriso de criaturas como nós.


Forjaste - com tua distância em imagem - qualquer parte asquerosa de minha sanidade pueril. Ainda que fotografias puras registrem a fadada vida de tua floresta, não vejo curvas em teus montes sanguíneos. Poderia oferecer-te meus dentes cansados ou até leituras inúteis, cobraria-te verdades acreditando no afago daquelas pessoas sem face emolduradas em residências coloridas pertencentes ao deus dos flamingos. Espalho meu sono por todos os lugares nos quais se ouve o barulho de aviões, pode acontecer de dormires no mesmo horário. Tuas fadas perguntam-me sobre a iluminação interna de meus pulmões e digo-lhes que em mim só nascem rotinas. O desejo morno da continuação estará nos tempos que pudermos captar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tenha piedade de mim, Satã.

As unhas sujas de bolo e os braços tomados por uma peste, em que - ela própria- faz da cura seu maior veneno.



"De que valem todos os amores do mundo, se eu  não tenho o Universo?"

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Quero replay daquelas horas de contentamento, eu - definitivamente - não fingi que. Você não vale sequer um dos meus  [a]batimentos cardíacos, mas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ossos no deserto.

           O céu não é mais você e eu dilacero meu corpo com agulhas finas e quentes para ainda dizer: sinto. E perceber o oceano de mágoa e revolta que enche meu estômago parece uma piada de mau gosto, humor ácido ou qualquer coisa que acenda solitária – no canto mais sanguíneo da alma.





[foda-se você rende sequer um bom texto mas ainda assim eu faria do seu abraço meu novo planeta habitado por fantasias pueris e doentias posso perseguir você com minha mente sagaz e débil entenderei cada passo de dança ensaiado na frente do espelho portanto saberei das suas cicatrizes de infância farei uma melodia inspirada em cada excesso de acúmulo de água do seu corpo porque perdi o controle vencer não é ter você faço questão de jogar poker em seus pulsos e brincar de roleta russa apontando o revólver para seus dedos da mão esquerda melhor é não viver você não rende sequer um bom texto ainda assim guardarei seus ossos no deserto debaixo da minha língua mordida]


‎"Existem tantas coisas que eu adoraria fazer com você. Com você eu tomaria ópio. June, que não aceita um presente que não tenha significado simbólico; [...] June, que julga, seleciona, descarta pessoas com severidade, que sabe, quando está contando suas histórias intermináveis, que elas são válvulas de escape, conservando a si mesma mais secreta por trás da conversa profusa."

domingo, 7 de agosto de 2011

- Eu era tudo e mais o restante que cabia dentro do seu coração inexato circundado de paisagens sem ponto cego e agora já é noite meu rosto não cabe nos dentes do seu cão guia, D-E-S-C-U-L-P-E.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

blue cat x red dog.



Eu nunca soube se você pensou em dividir sua vida comigo, mas eu cometi suicídio e entreguei  cada pedaço que restava da minha concha em suas mãos – sei que aquele universo esteve noutras mãos cegas de coração, a essência é eternamente o mariachi-borboleta-assassino, covardia.  Ousaria berrar despida “ME AMAR É UMA PÉSSIMA IDÉIA.” , e correria nua a brincar com os cães e chorar por não ter fuga, você não sabe não sabe, mas entender que essa idéia penetrou seus neurônios e lhe trouxe convicção é acertar o alvo, e eu só luto pelo oxigênio empobrecido porque quero inventar que estamos em Vênus enriquecendo urânio , longe. 




VEM COMIGO PLANTAR LUSTRES INDIGO POR TODAS AS RUAS SEM ESTRELAS E COM GATINHOS QUE PARECEM LEBRES VAMOS CONSERVAR TODO UM PLANETA ANTIGO TALVEZ EM SÉPIA NO LADO DIREITO DO NOSSO PEITO PORQUE VAMOS NÓS CASAR NA ESQUINA MAIS DISTANTE DESNUDOS DE ESPERANÇA COM UM REINADO DEBAIXO DA LÍNGUA.






eu sou a trapezista.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pulas na minha face e eu peço replay.

Não tenho como adivinhar-te - em vida ou sonho - teu corpo indo para todas as direções do impossível parecia-me um um dente quebrado, jamais devoria tua carne ou sorria sem a vergonha daquilo que faltou. Posso optar entre estar cega e não mirar a obra diabólica, teus olhos, melhor seria olhar-te e não sentir o peito arder fazendo três mil voltas ao redor do espaço sideral, colidindo numa explosão linear de violência ao pôr do sol. Preciso - com ganas de viver - acreditar em ti, mas teus olhos julgam-me inconsequente.

domingo, 17 de abril de 2011

shuuuuuuuuuuuuaaaazzzzul.



"Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheio,

tudo era do outro e de ninguém,
até que tua beleza e tua pobreza
de dádivas encheram o outono"




Talvez fosse hoje: domingo, dia em que desrespeito todas as regras, pinto meus dentes de vermelho e em pensamento caço O Desconhecido. Mas, não devo mentir e um dever também pode se tornar uma ordem, tenho o dever de inventar todas as nuances, sombras, palavras, energias, e o que couber dentro da nossa insanidade, é minha regra, para antes necessito abraçar-te porque eu sinto as turbulências vulcânicas da uma  alquimia-ciranda. Não é nada belo, tenho a consciência de que minha forma de expressão não é a melhor, estou tentando encontrar  - ainda - em livros vocábulos que definam o que aconteceu, um encontro, um conflito diplomático, uma guerra, o que prever? Olho no meu espelho sujo e vejo que tua essência transformada em palavra continua lá, tu és meu novo reflexo? Serei mais sangrenta que a Guerra do Paraguai, entretanto caso te prejudique com desafios ou jogadas sórdidas, escreva uma canção, pode me chamar de cadela ou palhaça, terei orgulho de merecer - até a cor do seu ódio será brilhante.



[Quero passear com você em ruas que parecem nuvens na Sibéria demarcado nosso território com tinta neon nas flores brancas brancas brancas Derreter o que se preparava para ser uma avalanche se você olhando a imensidão gélida - tão forte e diferente de nós delicados e ardentes como velas na Praça Vermelha  - sorrir Eu prometo sorrir de volta até entrar em  psicose.]


terça-feira, 5 de abril de 2011



Tenho medo e nojo de pisar no asfalto  - de pés descalços  -  descobrir que é nuvem ou terra. 




[Talvez eu tenha dito não quero engolir mais decepções ou aguentar cenas boicotadas pelo meu desespero porque porra ele arde e é pior que meu isqueiro novo já testei Talvez eu tenha dito não quero olhar para o veludo e no fundo perceber um pano de chão dado que coloco fogo em tudo desde a peça mais rara e macia até  aquilo que dizem ser vulgar a única forma de saída é queimar todas as florestas e derramar o máximo de sangue possível para alimentar os porcos. Circo fechado, hoje a contorcionista quebrou a clavícula enquanto pintava as unhas.]

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sólido.





A tristeza se esvai pelo vão dos dedos e eu - bem - que tento segurar o Universo com meus dedos finos de unhas longas-chamativas-destoantes mas não dá meu bem é preciso dizer que o ontem findou no entanto o agora não é mais repetição e sim toda sua solidão vomitada no meu colo não faça assim

segunda-feira, 14 de março de 2011

Betsy - Refeição.





Carta Confessional de Betsy a respeito de uma refeição um tanto quanto exótica. Sim, a conheci e afirmo que era uma moça de imensa cordialidade com uma ou duas facas nas mãos, sorriso adorável e olhos de veludo, uma graça.

sábado, 12 de março de 2011

red eyes.



 Reduzi minha existência a rastejar  sem notar  através do seu globo ocular ainda assim nada causava-lhe desconforto e você não tinha motivos para me banir daquele local ou simplesmente tentar ver o que acontecia tudo brilhava nos copos de uísque nacional e seu cérebro não respondia mais quando qualquer música triste girava girava e eu também saltitava tentando escapar da minha teia o desejo era percorrer seu rosto e levemente deixar um gosto amargo e desconhecido de afogamento nos seus lábios Queimava minhas veias por pensar desse jeito a maneira como as coisas acontecem é diferente e complicada em excesso porém havia uma necessidade de você um vazio que seus olhos preencheriam e então sua língua arrancaria de um jeito seu e extremamente doce no entanto voraz minhas cicatrizes já que todo o seu desejo era ter aquelas feridas sentir a dor ou imaginar estar com corpo gélido imaginando a proximidade do fogo Eu te abraçaria talvez arrancasse sua pele e engolisse pois precisava entender como era ser o meu outro aquele que também sentia tudo congelar quando as brasas estavam próximas e toparia uma lobotomia caso não houvesse erro no percurso Poderia injetar você meu bem durante todo o tempo eu resisti a tentativas de desistência ódio dor pavor nojo piadas sujas raiva e uma gama enorme de sentimentos que só o loucos poderiam aceitar degustar Você também sabe que não ou início ou final juntos aos sábados para saciar essa sede num parque caminhando e desviando o olhar  quando eu vejo você arrebata e é uma tempestade não estaremos logo não teremos madrugas divertidas que nos façam acordar sorrindo Existe para você todo o amor do universo e será agradavel assistir enquanto minha mão esquerda não pode tocar seus lábios finos e embriagados Tenha todo o meu amor meu sangue inclusive meus resquícios no seu globo ocular.


Doando partes,

June Miller. 

sábado, 5 de março de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Não faço idéia alguma de qual lugar deste universo você escolheu para curar as feridas que também mudam a cor dos meus olhos. Sempre soube que jamais haveria outra passagem de ano como aquela - em que fui feliz por saber que seu coração batia sem muitas razões - tento não deixar lágrima alguma cair. Andei pela praia fitando a alegria irracional dos desconhecidos que encontravam o mar, poderia ser o contentamento da proximidade de uma morte totalmente azul e sem disfiguração, assumo: não sei. Qualquer janela é um incentivo, posso encontrar com você naquela rua perigosa e suja que eu costumava frequentar procurando roupas interessantes. Não, não é assim, e você sabe que todas essas coisas matam, não é? Até porque nunca atendi pelo meu nome correto, desde o nascimento fui personagem, no entanto o meu máximo esforço para ser real foi com você, nunca estive ao seu lado,  ainda assim cultivo cicatrizes, durante todos estes dias - antes e depois - tenho visto corações partidos e até mesmo sem batimento algum, só queria contar, tenho encenado o mesmo adeus, porque algo medíocre impõe-me a vida.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Existe um caminho longo demais e estou cansada para traçar um mapa nas minhas pernas. Devo deixar você ir, afinal a única constante estática sou eu. Ande por ruas sujas, olhe para o céu, sinta o prazer de não dormir nas ruas, pense que é superior, até porque você não é um cão-sem-dono-com-olhos-cinzentos-de-fome-e-solidão, já sei, conheço melhor o desenrolar de coisas assim - essa situação - do que meu reflexo no espelho, acredite. Ah, a vida é mais forte, enforcou-me e deu a ordem para que eu me despedisse do impossível.



[Esperarei você no jardim mais bonito e cheio de margaridas que encontrar Vamos ao cinema e talvez seja uma experiência horrível mas eu só posso prometer que prestarei atenção no movimento dos seus olhos Poderemos ver uma constelação inteira brilhando sutilmente e até um sol noturno amarelo-laranja-ouro Passaria séculos prometendo tudo que há de simples e extraordinário bastaria ter sua mão para segurar.]