[ Tenho criado todo tipo de oportunidade absurda - para logo depois abandoná-la - no afã de um preenchimento : tempo-angústia-deslocamento, meu eu que parece mais uma cópia barata assinada por um adivinhador cínico capaz de ter captado todas as suas projeções para não ser. A seiva das noites percorre-me de modo delicado e infeliz, borrões tingindo outros lençóis, paredes ocultando cadáveres em movimentos de sagacidade e arrogância – não há entrega neste reino.
Enquanto você ainda cultiva rosas penso num meio de incinerar seu jardim e arrastar sua língua pelo terreno inteiro – singela homenagem aos beijos que foram-me negados e seus braços... ah, tanto calor negligenciado. Evidentemente uma fogueira. E que os anjos de cavalarias trôpegas encarreguem-se das sobras. Doem a deus, doí a-deus. Seu fantasma mnemônico – amanhã ou daqui á duas décadas traço um mapa a tal respeito, por hoje deixo-me ser : uma das quaisqueres coisas que possas objetificar e desejar durante o sono. ]
