Apenas o ruídos de um antigo e sombrio sonho, talvez pudesse dizer - também - assombro - , porém era tão aquecedor, assim vivia ela : uma rainha que comia as pérolas de seu único vestido para sentir-se mais altiva, enquanto cometia erros gustativos sua voz de comando - em sua alma profusa- fazia danças loucas com o diabo e prometia amarrar em seus olhos a desgraça.
Os dedos da indigna rainha mancharam-se de vermelho e não havia solução. Lágrimas tardes após tardes por não entender o que a dita cor fazia em suas mãos cansadas de tanto acenar. Tentou morrer, apelou para jogos de azar, dedicou-se aos livros que massageavam o ego, conseguia apenas - de maneira torta - sobreviver.
Apresentarem-lhe num jantar - onde os pratos principais eram pães velhos e cascas de uva - um certo rapaz, aparentava ter a sua idade, talvez mais, porém algo dizia que era bem bem menos, uma criança naqueles trajes aveludados. Primeiramente seus cabelos enrolaram-se por completo, de nada entendia, sempre tivera cabelos lisíssimos. Todos levantaram-se, pensou ela que seria um tipo de reverência mas pediram os servos pediram outro dia de deserto pessoal. Ali a rainha viu: as mãos do moço eram azuis, sem explicação. Perceberá que não queria limpar suas mãos e muito menos apagar o azul - seu oposto complementar.
Desastres aconteceram, febres, bailes, crises, assassinatos, ondas de amor, entretanto, nada os tocava: red and blue.
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