"I used to cry
But now I don't have the time."
But now I don't have the time."
Procurei-te nas
longas escadarias de mármore, percorri desertos de cascalho e flores
mortas, ajoelhei-me em tapeçarias persas implorando para revisitar
teus traços com as costas de minhas mãos, sorri para o asfalto
pois: tudo era você. A delicadeza das mariposas alaranjadas,
piromaníacos, cheiro de plástico queimando, cigarro molhado, mofo,
abraços de despedida, os cristais intangíveis do lustre das
cafeterias, tsunamis, a ferrugem corroendo as grades das prisões,
isqueiros baratos, girassóis, gelatinas de limão, versos brancos,
grampos, implosões, estações rodoviárias, vertigens - você existia em todos os formatos . Todas estas coisas roubavam seu
lugar e adquiriam sua forma, profanavam seu nome, sempre impossível. Então,
meus olhos perceberam que havia uma penumbra cobrindo qualquer uma de
suas faces – sua única forma de expressar indiferença e
inexistência – você é uma lacuna. Não há nada de próprio
em seu mundo e não existe coisa alguma do mundo em você próprio.
Obsoleto, obscuro, objeto, distante, vazio-vazio-vazio, disforme, oco, raso, incompleto, silente.
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