quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



O frio aqui é tremendo, ouvi naquela caixa grande de sons e fotografias em movimento - mas fechei os olhos- : "Hoje foi a tarde mais fria do ano aqui nesse final de Universo onde acabam as estrelas e ouve-se samba-canção.", pensei em você com casacos ingleses, luvas de assassino, calças vermelhas de veludo e aquele seu cachecol para gigantes. Na imagem do meu pensamento você sorria e o cabelo cobria parte do seu rosto, mas aquele brilho-de-amanhã-pra-quê?-se-ainda-temos-hoje-todinho-pela-frente ofuscava os pequenos raios solares, eles queriam sobreviver no meio do céu branco, porém suas aftas diziam: não. Ao fundo eu enxergava grandes rochas, então somente o deserto laranja com céu branco doía nas minhas costelas. Aquele lugar era minha fuga para desenhar pássaros no ar - quando canetas falhavam  e criticavam - , então caminhamos em silêncio, eu não fazia parte da pintura, ela era toda você em múltiplos caminhos trajando o requinte de olhos musicais. Reconhecemos as belas serpentes que não tocavam minhas botas e muito menos seus tênis, deliciavam-se com morangos libidinosos que escapavam de nossos cotovelos. Andamos, andamos e soletrei seu nome, paramos naquele furacão morto, beijei seus olhos e disse: é infinitamente AZUL. 

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