Choro por não poder fazer nada além de derramar lágrimas cheias de melodrama e ácido, queria um corte profundo, eu entregaria a você um mapa da minha anatomia, com um círculo verde mostrando onde a dissecação deveria começar, ou seja, o ponto de partida e chegada daquela angústia – velha conhecida - com o sabor das pétalas que meu cachorro comprou para o funeral. Engulo rapidamente cinco goles d’água, rasga a garganta, pouco importa, até porque existe um leopardo devorando meus neurônios, e é feio implorar por piedade, então recorro a uma coragem engenhosa. Violentamente coço meus pulsos, tentativa humilhante da promoção de um massacre gratuito daquilo que já é desfalecido. Preciso de uma ânsia nova, afinal todo o ser vomita suas tripas e em contrapartida devora o que lhe é ofertado, me ofereça: você. Cometo todos os erros e passeio pelas mais variadas maneiras de falar o que é simples. Sim, poderíamos nos deter a uma mera molécula ou equação, apesar de eu desprezar absolutamente todas as coisas relacionadas, caso fosse minha vontade, conseguiria. Não estou sendo suficientemente clara, falei em entrega mútua, você estrangula minha agonia enquanto decifro suas expressões que não posso enxergar, é um acordo. Conscientemente ninguém aceitaria, nunca fui suficiente e jamais serei, existem tantas outras pessoas, não é verdade?! Gosto de esquecer o fato de que possuo uma face, uma voz e pernas, penso no meu ser como espectro de algo que vê você dormindo e ri no momento em fumaça dos seus cigarros toma formas desconhecidas, logo percebo um peso no lado esquerdo do peito, alguns chamam... Enfim você conhece o tal vocábulo.
[Não acredite em que nada que pulsa ou é produzido pela minha – insana – mente Seria patético ter algum tipo de expectativa em relação à vida É tudo riso com sangue quebrei um dente e brinquei de escrever com esse asco adocicado nas papilas gustativas influenciando minhas maldições Não gaste seu tempo lendo ou refletindo pois é tudo extremamente fantasioso e vermelho ver-me-lho ver-me-lho ver-me-lho ver-me-lho]

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