sábado, 20 de novembro de 2010

Horizon.


"Os braços foram-me tirados, cantava. Fui punida por abraçar. Abracei. Prendi nos momentos mais belos da minha vida. Fechei nas mãos a plenitude de cada hora. Os braços apertados no desejo de abraçar. Quis abraçar a luz, o vento, o sol, a noite, o mundo inteiro e quis retê-los. Quis acariciar, curar, embalar, envolver, cercar. Forcei-os e prendi de tal modo que se partiram; partiram de mim."




Hoje é um dia horrível e sei que você não perguntou meus motivos para estar chorando e implorando por um abraço seu ou qualquer sinal de que ainda exista algo, talvez não seja o bastante, pode ser uma coisinha minúscula, mas me agarro nisso para suportar o céu que não é mais o mesmo ou as nuvens que estão imóveis debaixo da minha língua. O sangue continua correndo pelas minhas veias, mas era “nosso” sangue, lembra? Bom, se você não quiser recordar de todos nossos códigos e sistemas próprios de dizer que a maior alegria era aquilo que se tinha: entenderei, no entanto não esqueço, por um segundo, sequer. Não existem novas chances ou outras vidas, como as pessoas tolas dizem “é aqui e agora” e há tanto para dizer a você, o infinito seria uma definição aproximada. Eu não quero ferir você novamente, muito menos pensar que tenho a capacidade de fazer sua voz ficar trêmula e as palavras engasgarem em labirintos criados pela angústia. Devo ir, não há fluxo nem ondas, estou novamente no deserto, provavelmente morrerei aqui, engarrafada numa miragem que seus olhos não querem enxergar porque dói, eu sei, fere e dilacera.

Um comentário:

Bernardo disse...

Muito bonito Raisa :)