
Você ensinou-me a deixar as pessoas agoniadas, então espero o telefone tocar mais de três vezes e atendo com aquela voz indiferente, que era sua, mas, sou ótima atriz - de verdade - e faço exatamente igual, só lembro de não simular o sotaque, porque o que precede a angústia é a raiva, o seu jeitinho regionalista de dizer todas as coisas faria o mundo odiar-me, e eu já esforço-me excessivamente para digerir a indiferença que você joga nos meus olhos, penso que é o seu feitiço e tento livrar-me das teias de aço que distorcem minha visão, tento.
5 comentários:
Tentar é o que me (nos) resta.
As mãos costumam simular gestos no sofá/cama/chão/árvore/grama, ou onde quer que estejamos também (ou pelo menos as minhas simulam).
Pronto, falei.
Serei indiferente até que minha pele suplique por outra pele, até que meus olhos implorem por outros olhos, até que tudo se mova para que eu volte a me importar.
E simularei, continuarei simulando.
Que bom que voltaste, querida, senti tanta falta de teus pedaços..
;**
a indiferença ainda tornar-se-a unanime, e a unanimidade, bem, essa sempre foi burra - um dilema que sempre se mantém
Vazio-oco-cheio foi nostálgico ler isso.
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