quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eu sei que você está em casa.


As pessoas importantes nos conhecem exatamente como somos. Fracos, tentando sempre. Desejando ser outro alguém e fracassando na realização, assim então revelando quem realmente somos. E é triste não ter medo. Eu fico tentando imaginar. Desenho no chão as roupas que eu devia usar, a maquiagem que detalhada e demoradamente eu devia fazer, o sorriso que precisaria pintar, caso eu realmente quisesse me sombrear. E caso você fosse me amar um pouco eu até faria. Eu repetiria uma roupa de freira, fingiria que acredito na beleza não-artificial, usaria uma sacolinha plástica nas mãos, e teria um sorriso sempre, e não seria uma pintura, mas sim uma realidade, caso você se permitesse me amar, um pouquinho. E eu estou aqui. Praticamente do outro lado do oceano, porque eu já chorei tanto que formei uma ilha ao meu redor, te levei pra lá e agora você está tentando fugir, esqueci de levar os cigarros, mas tudo bem, eu permito que você corte os meus cabelos e fique o resto da vida observando o desenho que a fumaça da fogueira que você acenderá com eles vai produzir. Eu permito qualquer coisa. Eu tolero. Desde quê. Até você.


4 comentários:

Ana Pérola Veloso disse...

Faço desenhos ocultos e vejo meu dedo apontando por fim em tua direção!

Bianca Matos disse...

É triste não ter medo, mesmo.

A minha mãe diz que o medo salva e a coragem eterniza, eu não concordo plenamente, ams quando eu li o que escreveste eu acabei lembrando.

desculpa, entrar assim e comentar, mas eu senti vontade de comentar quando li.

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bianca Matos disse...

aquelas pessoas que chegam de repente?
eu entendo que seja mais fácil controlar e concordar com "o que" ou "quem" conheces.

passaria a visitar teu blog se assim permitisse. Então, obrigada.



até mais.