
Eu não arranquei a farpa. Você devia vir porque eu espero. E não só pela espera, afinal as ausências são coisas lindas e prateadas, devia vir porque implorei, e eu não gosto de ajoelhar-me no milho antigo e ficar chorando, ainda assim continuo, preenchendo as lacunas com a carne apodrecida. Então venha. Canso de não falar e fingir que entendo o medo ou a falta de disposição. Cansei. Venha então. Nunca ouve escolha, apenas uma aceitação não muito sutil, eu me debati, tentei auto-medicação, no entanto os caminhos tortos conduzem sempre a estrada perdida que eu carinhosamente chamo de distância, e me perco. Não é um alerta, muito menos uma carta sequer um recado, é apenas uma argumentação, o aceitar pleno, o esperar público e sorrir toda vez que o coração pára de sangrar e os olhos rolam pelo mapa, indiscrição. Não-me-desculpe-eu-continuarei-sendo-egoísta.
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