Eu poderia juntar todos os nossos pedacinhos e construir um castelo ou uma flor roxa para fazer sorrir seus olhos de um verde que nunca vi, mas sempre amei. Nós poderíamos estar num reino soberano de amor e verdade, porém estamos despedaçadas demais e cada uma juntou seus resquícios para encarar a vida real. Os espelhos andam refletindo apenas uma sombra quando ouso tentar ver meu corpo, não mais tão esquálido, é a ansiedade, sabe. Queria poder dizer tantas coisas que assustam-me mais que a morte, porém é melhor calar e sentir, apenas sentir. Nunca houve outro céu como aquele que você pintava de um azul fascinante, as nuvens parecem pesadas e carregam toda a minha culpa. Sinto vontade de telefonar-te a qualquer momento, ouvir sua voz suave acalmava meus demônios. Existe um abraço perdido no espaço e eu sofro tanto. Meus olhos lacrimejam enquanto vomito essas palavras, é uma ausência que rasga-me o peito e o fatia em pedaços aprazíveis servidos aos meus inimigos. Queria que você soubesse, está tudo aqui, violentamente preso nas minhas veias e querendo explodir num arco-íris depois da tempestade. Espero ter tempo para sossegar minha garganta em suas mãos, há um clamor interno do qual – creio eu – você não tem consciência alguma. Desejo que sejamos nós outra vez, é o que posso dizer-te de mais sincero, no entanto as crueldades do destino assolam-nos e eu choro desesperadamente, feito uma criança que teme os monstros esverdeados visíveis na penumbra. Antes de adormecer sonho com nosso encontro, gostaria que você sorrisse e abraçasse-me até ouvirmos o estalo dos meus ossos. Meteoros podem destruir o planeta, entretanto nada modifica as plantações de margaridas que habitam meu coração e esperam-te no frio soviético.
Com amor,
Suspiro-de-vida.

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