[E, te amar será remédio, para todos os hematomas que fiz jogando-me contra minhas paredes cerebrais. E, te amar carregará um bocado do sangue morto que explode cada vez que um dos meus sorrisos resolve travar e coagular. E, amar será doença da qual eu não quero desinfectar-me, pois amar-te não terá explicação, enquanto uns produzem, eu -humildemente não dirijo caminhões com cargas perigosos - e te amo, estática, possessiva e naturalmente intoxicada, hei então, amar até as pedras da rua por onde as solas dos teus sapatos pisaram, amarei os restos dos teus cigarros, amarei a ti, total e simplesmente, como um motivo e salvação.]
Estava confusa, dentro de sua náusea auto-explicativa, dizia estar muitíssimo confusa, perguntava-se como pode chegar àquele ponto, enquanto segurava com as duas mãos uma garrafa com apenas um gole de uma água que em alguma hora daquele dia teve gás. Gostaria de começar apresentando-se: Olá, eu-sou-a-garota-que-vê-aviões-silenciosos-e-acredita-que-são-estrelas-cadentes-então-canaliza-seu-pensamento-para-uma-máquina-e-pede-para-não-perder-em-dia-algum-seu-motivo-para-abrir-os-olhos, mas quem entenderia sua confusão, fora ela mesma? Alguém estava interessado em pessoas que cansam e confundem aviões com estrelas cadentes? Seria este um resumo de sua humilde vida: confundir-se? Cavalga entre as interrogações então faz pausas no deserto de si mesma, enquanto ouve suas melodiosas lágrimas jorrarem e umedecerem a areia, como se tudo estivesse correto, não está? Cansada. Exausta. Fatigada, assim estava a moça das estrelas-que-eram-aviões. Pensava em levezas para disfarçar os cortes nos seus lábios, o inverno era rigoroso com quem escolhe viver próximo ao mar. “Então vamos mudar de assunto. Então vamos mudar de assunto. Então vamos mudar de assunto.” Escreveu na palma de sua mão direita três vezes – com uma caneta vermelha para simular sangue, porque nela tudo era forjardo – e nada a tirava de sua confusão. Criou ligeriramente o bordão : "está assim, porque é assim que deveria estar." E, aceitou mais rapidamente sua inaptidão para mudar e não mais girar em torno de sua própria mediocridade. Abria a geladeira vazia. Acendia cigarros pelo lado errado. Pisava em cacos de vidro deixados por Ele. Sua desordem era um homem e seu motivo para não morrer também. Há muito a deixará para conquistar pernas úmidas de mulheres com lábios entupidos de batom vermelho e sombra lilás, eram tantas as cartas que ela não conseguia equilibrar-se ou varrer o chão para livrar-se das lembranças deixadas por Ele, os joelhos sangravam enquanto ela pedia que ele ficasse -veio-lhe a imagem mental - talvez fosse mesmo hermética, como diziam as meninas da empresa ou era apenas confusa, a quem interessar pudesse: Ela o esperava nos desertos, chorando, sangrando, calando, perguntando, aguardando, apenas Ele.
3 comentários:
Os teus céus são contos-de-fadas, e tudo o que paira sobre ti é digno de realizar os teus desejos. =]
NINGUÉM irá embora, jamais.
[Permanecemos.]
[Ninguém irá embora para ter joelhos perfurados pelos cacos de vidro deixados no não. NINGUÉM.]
- Estou seguindo seus blos, eles são muito bons. Escreve tão bem e de forma tão intensa. Seja bem vinda e apareça sempre. Bjoss
vou add todos eles, bjus
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