quinta-feira, 25 de junho de 2009

"Águas tempestuosas."



Silêncio, eu tenho implorado para correr o risco de não ter o que dizer, então sempre digo, e para além desta mania: anoto minhas falas, como num grade filme. Sei que você gosta de filmes e nutre mais afeto por aqueles que me são desconhecidos, eu não vou ter coragem de aceitar suas dicas cinematográficas, eu não vou aceitar você outra vez, muito menos quando está a rondar minha imaginação. Parecemos àqueles casais decadentes; dona de casa e homem bêbado; ela sempre aceita, e ele – movido pela certeza-, bebe a ponto de perder certa dignidade que lhe foi oferecida, portanto com a língua presa ele diz: “bom dia!”. Eu não seqüestraria você para o mundo das permissões ou certezas, se bem que você já arrombou todas as portas do meu bom-senso, não sei o que dizer, vou escrevendo e ainda choro, óbvio que você não me verá chorando ou sorrindo para a música mais linda, porque você é cego e não se pode brincar de gira-gira com alguém treinado militarmente para vencer, seria agradável se eu ganhasse, mesmo que o prêmio fosse um abraço ou um inesquecível chute no braço esquerdo. Sinteticamente: queria superá-lo em nosso jogo emocional, assim eu entraria no meu carro e estaria pronta para morrer, numa rua próxima, destruindo meu esquálido corpo, apenas.

Um comentário:

pri' disse...

gostei. de você e dos seus intensos escritos, zombie niña.


;;;;***