
"Que língua secreta nós falamos, conversas a meia-voz, nuances, abstrações, símbolos."
Eu pintaria todas as ruas do mundo de branco e guardaria as pessoas dentro de um pequeno calabouço, nenhum ruído sequer sujeira e assim nasceria um mundo gigantesco e limpo a ser devorado por meus dentes amarelados e antigos. Não usaria sapatos porque as ruas deixariam de ser um sonho higiênico, caso alguma mancha acontecesse, os pés ficariam descalços e cobertos por sacos plásticos, talvez eu pudesse voar. Sentaria com calma num desses charmosos banquinhos antigos e engoliria o choro, digeriria o alimento que não existiria e fantasiaria uma realização colorida que comprovaria a existência de toda a perfeição que os meus olhos captariam.
Subitamente alguém fugiria do pequeno cárcere e deixaria marcas azuladas nas minhas ruas para que eu percebesse o perigo que acometeria meu universo potencialmente inerte, logo o fugitivo tocaria meu ombro de forma quase ameaçadora e eu tola contaria até dez três vezes antes de pensar na possibilidade de verificar a identidade do autor de tal ousadia, olharia então, tomada por medo e expectativa, enfim descobriria que:
Subitamente alguém fugiria do pequeno cárcere e deixaria marcas azuladas nas minhas ruas para que eu percebesse o perigo que acometeria meu universo potencialmente inerte, logo o fugitivo tocaria meu ombro de forma quase ameaçadora e eu tola contaria até dez três vezes antes de pensar na possibilidade de verificar a identidade do autor de tal ousadia, olharia então, tomada por medo e expectativa, enfim descobriria que:
7 comentários:
(she got down on hands and knees, one ear against the ground,
holding her breath to hear something, anything at all
the dirt whispered: "Child, I'm coming home.")
Engraçado como eu sempre associo teus textos com alguma música trecho de livro ou filme, acho que eu estou envolvida demais com esses três elementos que não consigo não relacionar, me envolvi mais com eles do que com pessoas, propriamente ditas. E deixa esse este estranho que ousou fugir pintar sua rua de azul, porque azul é calmaria e ao mesmo tempo é tristeza, e tristeza é dor, e a dor faz a gente destruir pra poder construir de novo. E quando dói, é porque tem que doer. Eu queria que doesse roxo, mas sempre dói azul.
:****
... o estranho era na verdade outro apaixonado por ruas brancas; ombros cheios pintinhas; unhas como as suas.
huhuhu =0
Adorei as imagens!
: )
era eu a teu lado, a poluir o teu mundo, para que não te esquecesses, que viver é mesmo isso. Poluir, estragar, doer e tentar remediar toda a sujeira que surge. Ora sonhamos, ora idealizamos, ora cremos, ora pedimos e vamos limpando a sujeira. vamos. como podemos.
vamos como podemos: morrendo!
céus... era o sujeito das mãoscambaleantesinsegurasinsensíveisinsistentesinsurgentesinfernaisINDECISAS. cisão, não. se é mesmo bipolar
: se jogaaaa!
tua ausência, preocupa-me.
saudades, Raisa.
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