
"And pause the tragic ending
For I'm almost out of breath
Whisper in my ear
Take a bite upon my neck
I'll give you blood
If that's what you need to stay alive
You'll be free
And I will die."
A infinita dor das pequenas mãos, alguns diriam até dedos infantis, sigo calada em direção ao mofo antigo, adoraria uma música calma e aqueles efeitos especiais que tornam a vida mais realista, emoções lentas viciam. Eu não deveria estar escrevendo a você, até porque agora existem outras pessoas para as quais posso dedicar minhas vírgulas e fitas decoradas, mas simplesmente não consigo, e não conseguindo é que vou adiante, sempre um peso maior desequilibrando os ombros já salgados pela idéia do mar que devora as cicatrizes, o sal faz doer e eu só aprendi a criar novos hematomas para diluir a dor nas amargas tentativas de apagar. Grandes são os espaços e maiores ainda as lesões, os joelhos cicatrizados e um novo sangue jorrando, gostaria de devotar ao mundo todo o amor que deposito no sonho mais idiota em que incluo você, talvez eu pudesse salvar os cães sem dono, talvez eu fizesse chover chocolate durante trinta e quatro dias, e – depois do delírio - então abriria meu sorriso de olá-tudo-bem-estou-tão-feliz-porque-você-existe para a grande inauguração: saco plástico e os pulmões desistindo.
[Espero que não haja forma e muito menos cura porque a abstração faz o meu mundo cético e insólito tornar-se a terrível alegoria de um carnaval onde não há enredo sequer passistas ou velha guarda meu carnaval de pesadelos e lençol cor-de-flor-morta aliás eu adoro tanto a decomposição dos vegetais eu poderia deixar a vida correr ali naquelas folhas mortas e eu gosto de folhas amareladas acho até que já estou amarela e com aquele gosto irritantemente indefinido de outono e sabemos que é a estação do medo é lá que eu encontro você e digo que eu amo todas as pessoas pois as fraquezas são coisas tão lindas e amaldiçôo todos que ousaram buscar a perfeição o único lugar onde ela respira é no barulho do meu ventilador eu amo as pessoas imperfeitas e amo cada problema e amo cada pedaço e amo cada hemácia e amo contando para o analista sobre as evidências que apontam para eu ter nascido com intuito de poluir o mundo e não ter vocações para amar eu quero que você queira me ajudar eu quero poder ajudar você concluo então que não não é possível que seu desejo esteja de acordo com as minhas preces choro um pouco e aprecio a palavra soluçar finjo que estou distraída e desvio os olhos que doei para que o espelho não refletirá a verdade desagradável: o coração mantém-se funcionando e sendo assim as coisas continuam como ontem e ontem foi aquele dia em que desejei que você quisesse me ajudar e tivesse os cotovelos desocupados para eu poder beijá-los. ]
8 comentários:
que saudade tua, Raisa. que saudade. Como estás querida?
you'll be free
and i will die
muita verdade, pig.
;*
volta ao que largou, desisti do que tem, e sempre exitante, contradiz-se sem cessar. o amor, querida-menina. querer e não querer é sempre a mesma coisa. eu jamais poderei me desligar dos que amei, ops, amo..
Manterei os cotovelos ocupados para que o desejo de beijá-los se vá tão rápido quanto veio, para que a dor se torne cada vez maior e para que eu continue me sentindo humana, se é que é possível isso.
Tira as palavras dos meus olhos, Betsy.
:***
precisando de ti.
Raisa!!!
ah, tem um prêmio pra vc lá no meu blogue ;)
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