segunda-feira, 27 de outubro de 2008

The love never dies.


"Tu escolhes o lugar da ferida

onde emitimos nosso silêncio.

Tu fazes da minha vida

esta cerimônia demasiada pura."


Eu quero apagar cada marca que você faria na minha pele, prefiro voltar para a época em que velas e escovas de dente faziam sinais quase-poéticos nas minhas bochechas, talvez eu esteja exigindo o impossível, adoraria estalar os dedos e ver sua cara de eu-estou-partindo-acredite-na-minha-farsa, meus olhos se manteriam fascinados com a sua imagem não-tão-enigmatica-mas-despertadora-de-um-amor-imenso-intenso, depois passaria, assim como todas as coisas, e então surgiria uma raiva pintada pela caneta das suas inverdades e as minhas mãos tocariam uma garrafa e a garrafa acertaria sua cabeça e repentinamente você estaria na mesma situação que eu, sangraríamos até morrer e num inferno bem distante eu colocaria cordas nas suas costas e ficaria brincando, trocaremos de papéis longe daqui, eu sei.


Não, eu sei que você partiu e não quer um tempo para se reapaixonar pelas idéias que eu lhe passava, sei também que você quebrou todos os meus dentes e pendurou um pregador na minha língua, estou tão tranqüila e magoada. Entendo que tudo deva ser sujo, afinal o oxigênio é menos bonito do que o mijo dos bêbados que colore as esquinas, arestas de ruas, avenidas onde você beija e recebe declarações de tantas meninas comuns, eu sou um monstro prateado e com longos cabelos roxos que surge para destruir seu mundinho de clichês e contracultura forjada, um monstro imerso na minha própria fragilidade.


Obrigada por ter deixado escorrer resquícios da sua falsa sensibilidade, eu lambi até seu suor e tornei divinas suas frases patéticas, aliás, obrigada por ter sido durante praticamente três anos o mais patético e impessoal de todos os homens. Dedicarei a você uma salva de pausas e no intervalo delas minha saliva escorerrá, meus ouvidos explodirão nas tentativas de forjar sua voz, engolirei meus rins e arrancarei cada pedaço que ingeri com ímpeto de devorá-lo, quero você, ainda.

Não, eu não te amo por você ser fraco, ter falhas de caráter quase assustadoras e também desconhecer palavras importantes, tais como: compaixão, respeito e consideração, mas eu amo cada um dos seus defeitos, até suas partes que solidificam meu coração esverdeado, eu amo. Eu não vou te abandonar, estou apenas jogando maldições e vômitos meus em todos os lugares, aranharei seus sonhos e provavelmente vou rir dos seus motivos, ainda assim te amarei com ódio, frigidez e nojo, suporte.


Substitua-me, vá em frente e espere toda a sua solidão sedimentar, logo após notar a dor dilacerando seu corpo tosco novamente: (a) mor-rra-se. Estará em mim, sempre. Assim como as marcas de queimaduras e doenças inapropriadas, sempre-que-só-se-acaba-no-caixão.


[Sonho em reconhecer todo o seu corpo com meu pincel de maquiagem. Não, eu não pretendo pintar-te com meus cosméticos coloridos, quero apenas tocar-te com as mãos, as cerdas, os pedacinhos do maldito pincel, até porque tantas foram às noites em que o esfreguei em minha áspera pele supondo que a hora do contato havia chegando, delírio. Eu deveria dizer que quero arrancar seus olhos e fazer um chá, moer seus ossos e preparar um sopão filantrópico, mas eu não sou como você, eu não gosto de despedidas e não quero mentira alguma: estou torcendo, gritando e arrebentando meus dedos de tanto fazer figa, estou esperando você voltar. Ah, caso sua memória falhe: continuo vomitando e arranco meus cabelos para contar tempos com os fios desbotados, ainda uso aquela velha bóia que você atirou no esgoto e disse pra eu segurar, minhas roupas continuam velhas feias e provavelmente o cheiro que inventei para você me fará romper qualquer cegueira e poderei sinalizar com berros minha (in)existência, estou esperando você, o único filho da puta que ocupa meus maiores espaços e que tenta escapar dos meus oito braços que se convertem em des-e-jo.]

7 comentários:

Anônimo disse...

Ah, alguém sente =) Adoro =*

Fênix disse...

Pegue meu coração e leve com voce na hora em que partir... Porque se ele ficar aqui comigo não me servirá para nada além de um músculo pulsante e frio...

o amor nao morre, mas eu e voce sim.

Ana Pérola Veloso disse...

sua figa presa, seu dedo roxo explodindo cor vermelho coagulado. me dói e acho que aí então nem quero pensar, pois estou longe longe, porém a palavra 'distante' eu, você, nós... não existe. prá gente ou, prá nós do círculo você sabe qual, palavras nunca têm aspas. são concretas e, talvez por isso nos queima, nos mata, nos finda num caixão. ou não. é, não quero caixão, aquela coisa sufocante e, a gente ali debaixo da terra onde passam formigas e não sei mais o quê. quero pó, poeira... quase um gosto de lembrança eterna.

Anônimo disse...

f(s)im

Patrícia Colmenero disse...

raisa, tinha escrito mil coisas e o pc perdeu tudo...então vou resumir
adoro palavras-compostas-inventadas. adoro morra-se. uso morri-me.
adorei muitas frases que tinha copiado aqui e comentado...
agora estou no trabalho e tenho que correr, mas adorei seu texto corrido e cheio desse raiva-amor
beijos

Anônimo disse...

"eu lambi até seu suor e tornei divinas suas frases patéticas"

E eu saciaria todas as vontades, até mesmo as mais luxuriosas e vulgares, eu faria isso, só pra ver de novo aquele brilho nos olhos, aquele maldito olhar de prazer grosseiro e bêbado, de onde saltavam faíscas que iluminavam toda a minha escuridão.

Eu confesso que cada vez mais sinto como se eu fosse um pedaço seu, um pouco mais retraído-confuso-esperançoso, mesmo sendo de uma esperança fútil e infantil, com essa inocência ridícula que eu insisto em colocar ao meu redor, nessa espécie de conto de fadas pós-moderno e altamente tosco. As vezes eu sinto uma IMENSA vontade de te mandar cartas e mais cartas, querida, eu não entendo a razão disso, só sei que essa vontade é constante e repetitiva.
E eu finjo não sentir tudo isso, pra não ter que ficar explicando para todos aqueles que não podem/querem/devem entender.

=*

Patrícia Colmenero disse...

Tenho uma proposta pra você
Vou fazer do blog uma revista virtual. Queria que você fizesse parte da Redação. Aceita?
Seria uma revista sobre vários temas, desde que nada muito político, porque isso seria muito fora do foco. Então, música, literatura, vida moderna, acontecimentos, filosofias...
As matérias devem ter um conteúdo e não seu algo como um post em blog. Ou seja, não pode encher de imagens e escrever em tópicos. seria um jornalismo mesmo.
O que acha?