quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Not about love.

"Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – quer era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça."





Eu te mostrei todas as coisas, até aquelas que me perseguiam, talvez doasse o sangue aos fantasmas para vislumbrar teu riso. E agora o que resta é o ridículo, meu medo de sentir alguma insegurança e parar de forjar meus próprios coletivos era tão grande que agora é um pranto bem leve. Não restam nem os espinhos, engoli todas as coisas e esfolei até os joelhos que não tinha de tanto fazer preces, aprendi a domar meus demônios para simplesmente não fugir, errei e não assumo. Não tolero mais absolutamente nada, minhas ordens escorreram junto com os sonhos, hoje não deliro mais, ainda assim existe a presença e a ausência que é a maior do que todas as coisas. Tateio uma emoção quase gelada, te escrever num envelope vermelho e errar meu próprio nome na vontade de ser outra, é um jogo. Não tenho água aqui e só um luz que quase cega e desidrata, então não devo chorar, sobreviver é um resto tão aguardado, é como se eu estivesse todo tempo esperando as migalhas voarem, sentada num banco de praça devastada, as árvores completamente mortas, esperando, pois além da sobrevivência a espera é a opção adicional, não existe fuga, mesmo que os olhos estejam mortos e cansados de tanto lamentar. Eram castanhos, eu sei que já disse, mas vale ressaltar que agora caem pelas ruas, e  corro para me recompor, em vão, ouço qualquer coisa como uma promessa de cura, ouço qualquer coisa menos a tua voz que nunca liga e diz adeus sem culpas. O céu nunca pode aguardar, a chuva caí e sempre representa a condução de todas as coisas avulsas, afogo-me na indecisão e vou continuando, apenas seguir e tentar matar, a fome não acaba assim, não insisto. Decifro meu próprio espaço e vou andando sozinha, entende!? so-zi-nha, com as sílabas separadas corretamente e um peso imenso, promovo minhas rezas esquisitas e choro com cachorros, talvez seja essa a solução, ou não há. Não há fuga. Voltamos sempre ao mesmo ponto e nunca paramos de girar, nós dois. Peço desculpas pela minha distância, no entanto não quero quebrar de maneira alguma essa reconstrução solitária na cela mais bonita que inventei, não posso e sinceramente não preciso. Respiro rápido, tento usar um disfarce que te agrade, o gosto amargo de mofo persiste, o cheiro que nunca saí, é o fantasma que sorri com suavidade e pede para eu continuar, com pavor. E essa minha necessidade de ser uma faca não acaba nunca, a acidez é tudo o que posso  oferecer, tudo. Não se iluda.