sábado, 15 de setembro de 2007

Shadows of Paris.


O abandono da palavra é sublime, perder completamente o apreço pelo uso de verbos e adjetivos, durante o banho os vocábulos escorrem e todos permanecem no esgoto da criatividade. É sempre sobre o coração, engoli e ainda agora envenena os rios de lágrimas escondidas, intoxica. Bonito seria perceber o amor como uma usina nuclear, é feito para alastrar o potencial e as sequelas se perduram, é delicado observar as cicatrizes ou a falta de cérebro assim como a falta de tudo, a ausência.Então os amantes/amados/desgraçados são naturalmente vitimas, os pedaços junto aos escombros, “evacuar a área”, é assim que gritam, alguns chegam a implorar pela salvação, mas escorre, a vida nos perpassa nos cílios delicadamente, é rímel de petróleo e serve para disfarçar o engano eterno. Coração-de-festa-de-aniversário deixando uma fatia de bolo para Cristo, cuspindo línguas de sogra amareladas e por fim dormindo no sofá, o objetivo é chegar a tempo de embarcar no balão surpresa e fundar um novo império, reino de trechos e rodovias onde há uma lamentação contínua. Esmaecer no final-da-tarde-ensolarada.

Um comentário:

Salve Jorge disse...

Se o amor é uma usina
Não é a hecatombe que nos fascina
A chuva nuclear com que culmina
Mas sim os devaneios da menina
Que teme pequenina
Que aquele amor lhe cinge
Enquanto ela finge
Finge que aguenta
Enquanto ostenta a dor lasciva
Poderia ser altiva
Rememorando as energias que a perpassaram
Quantos dias iluminaram
As beneces que ficaram
Mesmo que o mundo tenha seguido
Que o amor seja finito
E que ele não seja mais tão bonito
Como no princípio
Tudo fruto do arbítrio
Do caminho contínuo
Cheio de rupturas
Sempre escapam-nos as coisas futuras
E quando presentes
Buscamos a cura
Seja o que sentes
É preciso que as reinvente
Porque energia por si só
É só um estado melhor que a matéria...